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Fiz um Pix para um golpista: como pedir a análise pelo MED?

ConsumidorRedação LexMagisterFontes conferidas em 5 min de leitura

Em resumo. Avise a instituição de onde o dinheiro saiu, por um canal oficial, assim que perceber o golpe, e peça a análise pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED). O pedido deve ser registrado em até 80 dias da data do Pix. O MED não garante que todo o dinheiro volte, mesmo quando há fraude.

O prazo de 80 dias é um limite, não uma recomendação para esperar. A recuperação depende da análise e do dinheiro que ainda puder ser localizado e bloqueado. Por isso, quanto antes a instituição souber, melhor. Banco Central, como funciona o MED.

Ao fazer o pedido, guarde o protocolo e acompanhe a resposta.

O que é o MED e o que ele não é

O MED é um procedimento próprio do Pix para facilitar a devolução em casos como fraude, golpe ou crime, quando os requisitos são atendidos. Ele também é usado em certas falhas operacionais do sistema Pix, mas esse é outro assunto.

O MED não é um seguro. Ele não garante que o banco vá cobrir o prejuízo com dinheiro próprio. O procedimento serve para identificar a transação, avisar as instituições envolvidas, analisar os indícios de fraude e verificar se há dinheiro que possa ser recuperado.

Ele também é diferente de pedir a quem recebeu que devolva, por vontade própria, um Pix enviado por engano.

Que informações reunir

Localize o comprovante do Pix no aplicativo oficial do seu banco. Separe:

  • data, horário e valor;
  • identificação da transação, se aparecer;
  • dados de quem recebeu e da instituição dele, como constam no comprovante;
  • como aconteceu o contato ou a oferta;
  • mensagens, anúncios e documentos ligados ao golpe;
  • o momento em que você percebeu a fraude;
  • outros Pix feitos no mesmo episódio.

Você não precisa fazer uma análise jurídica. Conte o que aconteceu, em ordem: o que foi prometido, o que levou você a pagar e o que mostrou que era golpe.

Se fez mais de um Pix, identifique cada um. Um protocolo genérico pode não mostrar quais transações entraram na análise. Envie os documentos pelos canais que a instituição indicar e guarde os arquivos originais.

Como fazer o pedido

No aplicativo, procure a opção de contestação ou o atendimento oficial ligado à transação. O nome e o lugar dessas opções mudam de banco para banco.

Se falar com um atendente:

  1. Identifique o Pix.
  2. Diga que suspeita de fraude e explique os fatos.
  3. Peça a análise para acionamento do MED.
  4. Peça a confirmação de quais transações foram incluídas.
  5. Guarde o protocolo e o canal para acompanhar o pedido.

Se pedirem informações extras, confirme o pedido pelo canal oficial do seu banco. Não passe senha nem código de autenticação para quem se apresenta como suporte em contatos que você não conseguiu verificar.

O Banco Central recomenda também registrar boletim de ocorrência, ao mesmo tempo em que você fala com o banco. O boletim não substitui o pedido ao banco. Não espere ter o boletim para comunicar a fraude. Banco Central, orientação para quem caiu em golpe com Pix.

O que acontece depois do pedido

Segundo o Banco Central, o pedido passa por uma avaliação dos requisitos do MED. Depois, o procedimento pode incluir:

  • o rastreamento das contas para onde o dinheiro foi transferido;
  • avisos às instituições de quem recebeu;
  • o bloqueio do dinheiro disponível, limitado ao valor da transação contestada.

As instituições avaliam esses avisos em até sete dias. Se não confirmarem a fraude, o dinheiro bloqueado pode ser liberado. Se confirmarem a fraude e houver dinheiro a recuperar, a devolução pode ser total ou parcial. Banco Central, como funciona o MED.

Esse prazo de sete dias é para a avaliação. Ele não promete que todo o dinheiro volte em sete dias. Analisar o pedido e recuperar o dinheiro são coisas diferentes. Pergunte à instituição em que etapa está o seu pedido e qual foi o resultado.

Como acompanhar e guardar o histórico

O Banco Central informa que você pode acompanhar o andamento do MED no aplicativo da sua instituição. Banco Central, como funciona o MED. Salve:

  • a confirmação de abertura ou de encaminhamento do pedido;
  • os pedidos de informação complementar;
  • os avisos sobre análise e conclusão;
  • o valor devolvido, se houver;
  • a justificativa de encerramento ou de recusa.

Se não encontrar o acompanhamento, peça orientação ao banco e informe o protocolo inicial. Evite abrir várias reclamações diferentes para a mesma transação. Mantenha um histórico claro das tentativas e respostas.

Exemplo hipotético. Imagine que você fez dois Pix numa negociação falsa e o banco devolveu parte de um deles. Antes de concluir que tudo foi analisado, confira quais transações estão no pedido e qual foi o resultado de cada uma.

Quando o MED não se aplica

O Banco Central aponta casos em que o MED não vale:

  • desacordo comercial, como uma discussão sobre as características de um produto comprado de um vendedor de boa-fé;
  • erro de quem pagou, como um Pix enviado para a pessoa errada;
  • dinheiro que foi para a conta de outra pessoa de boa-fé.

Uma compra que deu errado pode ter sinais de fraude, mas nem todo produto errado ou atrasado é golpe. Descreva os indícios. A falta de entrega, sozinha, não prova que houve fraude.

Exemplo hipotético. Imagine que um vendedor real enviou um produto diferente do esperado. Isso pode exigir uma reclamação de consumo, mas o MED não serve para contestar uma compra. Já uma identidade falsa usada para levar você a pagar exige a análise dos fatos como fraude.

Um Pix apenas agendado também é diferente de uma transferência já feita. Confira o extrato antes de seguir este roteiro.

Se o pedido for negado ou nada voltar

Peça o resultado e a justificativa por escrito, ou em um formato que você possa guardar. Veja qual foi o motivo: falta de indícios, caso fora do MED ou impossibilidade de recuperar o dinheiro. São explicações diferentes.

A orientação do Banco Central menciona o Procon, o Poder Judiciário e a reclamação ao próprio Banco Central como caminhos, se a situação não for resolvida. Banco Central, orientação para quem caiu em golpe com Pix.

Esses caminhos não garantem reembolso.

Quando procurar orientação individual

Uma eventual responsabilidade do banco, uma ação judicial ou a investigação criminal dependem do caso e das provas. O resultado do MED não responde, sozinho, a todas essas questões. Se você quiser avaliar esses caminhos, procure um advogado de sua confiança, ou a Defensoria Pública se você não puder pagar.

Leve o histórico organizado: as transações, o relato do golpe, os protocolos e as respostas recebidas.

Fontes consultadas

Fontes conferidas em 2 de outubro de 2026.